Cinco parágrafos sobre Viral

Viral, minissérie que o Porta dos Fundos realizou em quatro episódios, acabou sábado passado. Uma produção de humor centrada nos cuidados sobre o vírus HIV, em tese, teria larga chance de cair na assombrosa (e moralista) discussão atual que opõe “discurso politicamente correto” x ” piadas com visibilidade”. A série escapa bem disso, amarrando o roteiro na peregrinação dos carismáticos Beto (Gregório Duvivier, na pele de um HIV positivo) e Rafa (Fábio Porchat, seu amigo falastrão e contador de vantagem). E, portanto, o que se vê vai além das recomendações anti-contaminação da AIDS, ainda que ao mesmo tempo o espectador saia “instruído” após acompanhar cada episódio.

Viral Porta dos Fundos

Fábio Porchat e Gregório Duvivier na minissérie “Viral” (Divulgação)

Basicamente, Viral conta o percurso de Beto procurando todas as mulheres com quem já transou, para avisar que tem AIDS. Com o amigo Rafa a tiracolo, ele ainda sugere que elas façam um simples teste de HIV na hora, a fim de esclarecer logo a dúvida a cada encontro. De início, confesso que fiquei meio saturado do excesso de diálogo entre os dois protagonistas. Porchat está a mil, nesse sentido, a exemplo típico de como ele aparece em vários vídeos de esquetes do Porta. Depois, entendi que o primeiro episódio era uma espécie de “modus operandi” da história, com uma carga maior de didatismo no roteiro, se comparado aos três episódios que vieram na sequência.

A partir do segundo episódio, Viral passa a lembrar mais o padrão das esquetes semanais do Porta dos Fundos, com a situação que envolve a visita dos amigos-protagonistas ao casal Kléber (Rafael Infante) e Fernanda (Carol Abras), numa das melhores cenas da série. Outras cenas que vale destacar (tentando aqui não dar spoiler): do terceiro episódio, destaco os diálogos de Beto e Rafa no “vestiário” e na saída do puteiro (com os dois já dentro do carro); e do quarto, a cena de abertura com o taxista aloprado (Antônio Tabet), além da sequência de Beto no consultório odontológico com a dentista Suzana (Letícia Guimarães).

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Rafael Infante e Carol Abras em cena do segundo episódio (Divulgação)

Viral deixa algumas marcas incomuns ao “padrão Porta dos Fundos” que antecedia a produção. A principal delas seria um drama que aparece de maneira muito leve: a debilidade física do personagem Beto, mostrando seu estado enfermo em contraponto à graça que envolve o amigo falante e os encontros com seus casos. Traz aquela pontinha de seriedade que você até imagina que alguma agora vai encontrar, ao saber que “o Porta dos Fundos fez uma série sobre AIDS”.

No último episódio, Viral deixa o espectador na mão. Mas é por mérito: ao contrário do que ocorre em várias produções similares (que começam com muito fôlego, porém terminam ofegantes), a minissérie cresce a cada episódio. Ainda antes de assisti-lo, me surpreendi com o anúncio do final, imaginando que a lista das 30 mulheres de Beto até renderia mais situações. Como o próprio personagem de Fábio Porchat diz, no momento em que “essa AIDS já tá trazendo coisa boa” ao protagonista interpretado por Gregório Duvivier, a história avança para o término.

Para assistir cada episódio da minissérie, clique nos links abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=yezAn6RL9XY (Episódio 1)

https://www.youtube.com/watch?v=EJf3V3oybLg (Episódio 2)

https://www.youtube.com/watch?v=uZLVbNOoquU (Episódio 3)

http://www.youtube.com/watch?v=-12_0ZP2p4g (Episódio 4 – Final)

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